A UNIÃO FAZ A FORÇA

A UNIÃO FAZ A FORÇA

A cada dia tomo conhecimento de novos casos de hotéis, alguns até de grande porte, que veem nas grandes OTA’s a solução para seus problemas de venda. Dispostos a qualquer custo a se livrar de alguns algozes, como certas operadoras, colocam toda, ou grande parte de sua disponibilidade, à venda através destes gigantes que, logo de cara, não medem esforços para fazer jus à confiança neles depositados. E saem vendendo e encantam o hoteleiro.

Só que …. bem, a vida nunca é tão simples assim. Nunca se esqueça disso, seja qual for a situação, tudo sempre tem dois lados.

Essas OTA’s fazem o que tem que fazer: dar lucro aos seus acionistas. Essa é a política de suas matrizes e controladores, expressa de forma automática pelos seus softwares, que enxergam qual hotel tem grande parte da disponibilidade em seu sistema (eles sabem pelo cadastro o total de UH’s do hotel), que porcentagem da venda ela está representando para cada hotel, e, por uma conta simples, qual a porcentagem de room nigts do hotel passou para suas mãos.

Algumas OTA’s emitem uma sugestão automatizada para que o hotel ou pousada aumente a comissão que vem pagando, a fim de “subir” no ranking e aparecer na primeira página de suas buscas. Nesta altura alguns hotéis de maior porte, que tem equipe comercial, demitem esta equipe, desfazem acordos com agencias corporativas, operadoras, etc, ou seja, saem do mercado. Ficam dependendo de alguma venda direta, via grupos, eventos, etc, e, quase que totalmente, desta ou daquela OTA.

Você dirá, com todo o “complexo de vira-lata”, e não me leve a mal por dizer isto, que as OTA’s são multinacionais que operam no Brasil e não se pode competir com seu poder econômico. Engano seu. Isso ocorre também na Europa. Até nos Estados Unidos – pobres dos hoteleiros independentes – ou aderem a uma bandeira, e para isso tem que investir muito dinheiro para adequar seu hotel. Ou caem na mesma situação dos nossos hotéis.

Temos no Brasil “n” associações na hotelaria, inclusive centenas de associações locais, do tipo Associação das Pousadas de Campos do Jordão, de Porto de Galinhas, etc, e também os órgãos com representatividade nacional. O que os hotéis podem fazer é criar, junto com suas associações, portais locais, regionais, etc, que aumentarão suas chances nos sites de buscas.

Não estou aqui sugerindo, nem de longe, a saída de qualquer hotel de qualquer OTA. Que fique bem claro. O que eu digo é que o hotel tem que ter bom senso, um mix de vendas saudável, nada de colocar todos os ovos numa única cesta. Ter um motor de reservas no seu site e trabalhar sua imagem na internet, estar presente nas OTA’s, em portais regionais, de associações, etc.

Se os hotéis e pousadas conseguirem algum tipo de união em torno dos seus interesses mais legítimos poderão brigar, no bom sentido, por um melhor lugar ao sol nos sistemas de busca, e ter sua exposição e relevância aumentados.

E ponham as barbas e as madeixas de molho, pois teremos ainda tempos muito difíceis pela frente, com o corte no orçamento de viagens, tanto de laser quanto corporativas, fazendo suas taxas (médias) de ocupação permanecerem abaixo do desejado. Quem avisa amigo é.